DOIS CORAÇÕES…

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Barulho de pingo de chuva,

Cheiro de terra subindo.

Aroma de fresca uva,

Que sobe quando a chuva vai caindo.

 

Cheiro de recordação,

Cheiro da inocente infância.

Aroma que balança o coração

De um passado já em distância.

 

Distância que maltrata

O peito em repetido açoite.

Distância que mata,

Todo dia, a cada noite…

 

A chuva cai em gotejo,

As lágrimas em enxurrada…

Saudade de quem a muito não vejo,

Aroma da mulher amada.

 

Aroma de doce perfume,

Aroma e sensações.

Triste o tom cinza do ciúme

Que separou dois corações.

 

 

GILBERTO CAMPOS       

 

ESQUECENDO-ME DE AMAR…

ao teu redor

Às vezes eu chego à sacada da alma

Para olhar a lua lá fora

Contemplar estrelas e sonhar

A noite parece pulsar seus desejos

Um cheiro de prazer conspira

Nos amantes que atravessam a rua…

Volto para dentro de mim

E olho ao redor

Rabiscos de sentimentos jogados

Rascunhos de ilusões  e restos de emoção

Misturados no coração…

Esboço uma disfarçada alegria.

Deixo escapar um sorriso

Para poesia que vejo lá fora.

Tento deixar sobreviver um verso de amor,

Mas as entrelinhas tristes confessam minha dor!

A solidão se arrasta numa corrente envolta,

Num olhar poético solto a  fantasias aprisionadas

E passo a sentir gosto de beijo nos lábios.

A boca molha enquanto o corpo arrepia,

Um frisson aquece paredes frias no meu íntimo.

Ao ver o amor dos casais quis para mim também

Passei a delirar imaginando um encontro…

Depois de tanto tempo tinha esquecido de sentir

Fui vivendo por viver sem perceber

Que o amor dentro de mim tinha morrido

Depois de tanta solidão aprendi a ser só

E nem sabia mais falar de amor…

Só às vezes debruçado sobre o papel

Acordava sonhando uma poesia cheia de sentimentos,

Mas sempre deixava escapar minha dor.

Numa saudade ausente,

Nas minhas palavras carentes…

Sempre que falei de amor

Ela tinha partido

Sem nenhum subterfúgio aparente…

Acabei descobrindo que nunca soube amar.

Os poucos carinhos me causaram obsessão,

Queria logo tomar posse do coração.

A carência se refugiava

Na necessidade de ser amado

E logo o amor fugia e se perdia de mim…

Algumas vezes meu corpo reagia.

Se prendia nas minhas sentimentalidades,

Ouvia o coração dentro de um grito surdo de amor.

Nesses momentos sempre olhava para fora

E no meio da noite e via passar os amantes

Que deixavam para trás seu perfume de sensualidade.

Que entrava pela sacada da minha alma

Exalando da pele o cheiro de amor!

Mas outra realidade me pertencia,

Era somente poesia que acariciava minha dor…

Voltava para dentro de mim,

Meus pertences ali solitários

Paredes vazias impregnadas de desilusão…

Outro poema suspirava na minha alma,

Fechado no medo de se entregar…

Que tantas vezes fora para não voltar

Até me esquecer de amar…

GILBERTO CAMPOS…

DÚVIDAS ?

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Não sei o que faço,
Quero estar no seu pensamento,
Imaginar que você pensa em mim.
Será que meu caminho eu traço?
Ou vou vivendo o momento?
Digo não ou digo sim?

Não sei o que fazer,
Só em você fico a pensar,
Não quero imaginar um fim.
Meu caminho quero traçar,
Do teu lado, sempre a te amar.

Não sei se acredito no destino,
Não sei direito o que você quer.
Quero apenas ser seu menino,
E morrer de amor neste corpo de mulher…

 

GILBERTO CAMPOS…

ME ABRAÇA…

 

Quando você chega perto…

Teus olhos já fixam os meus…

Olha-me profundamente…

E não consigo explicação para o que sinto.

Quando toca de leve meu rosto…

Tua pele já eriça a minha.

Quando o abraço acontece…

Teu corpo já está ajustado ao meu…

E só nós dois sentimos esse encaixe.

Quando  procuro tua boca…

Teus lábios já sentem o calor dos meus.

E quando levemente se tocam…

Explodem em carícias mágicas…


Normais entre duas pessoas que se amam.

Viajando um pouco nessas linhas…

Facilmente se percebe…

Que quando chega…

Me toca…

Me abraça e busca por carinhos meus…

Pois eu mesmo distante…

Já me entreguei aos teus.

 

GILBERTO CAMPOS…